Hoje nosso convidado especial é Victor Scarpa de A. Maranhão. Co-fundador do Capítulo de São Paulo do Legal Hackers e da JurisIntel, formado em Direito pela UFRN e especialista em Direito Empresarial pela FGV, Victor tem uma trajetória muito interessante em Direito e Tecnologia.

Na JurisIntel, desempenha um papel fundamental de jornalismo de dados para advogados. A Startup faz análises precisas de milhares de casos decididos pelo STJ e STF por meio de processamento de linguagem natural. No Legal Hackers, tem um trabalho fantástico com a disseminação de conhecimento gratuito e acessível por meio da Comunidade Legal Hackers. Paralelamente a esse belíssimo trabalho, nas horas vagas curte um surfe.  Confiram abaixo a entrevista:

1 – Victor, por favor, compartilhe a sua trajetória desde a época da faculdade de Direito até a sua escolha de também trilhar esse caminho “fora da caixinha” de estudar e atuar nesse novo “campo” de Direito e Tecnologia.

Victor: Por um bom tempo me senti perdido. Sempre segui o caminho das disciplinas e atividades menos convencionais. Para encurtar a história: 

Logo de início, o imaginário da diplomacia me levou ao Direito Internacional. As experiências com o Direito Internacional me fizeram identificar na vertente internacional privada a “minha praia”, o que encurtou o caminho até o mundo da Arbitragem e às experiências internacionais.

Olhando para trás percebi que, apesar da sensação de estar perdido, existia um denominador comum (motivação) em cada decisão: o desejo de encontrar sentido e funcionalidade no Direito e na minha relvância para ele.

Foi nessa busca que conheci Igor Macedo, que de “mentor de carreira” voluntário, quando eu sonhava (seguindo seus passos) com um programa de mestrado no exterior, se tornou um mentor (e hoje sócio) da minha ansiedade por sentido no Direito, me atentando para tudo que estava por vir no nosso tão antigo mundo do Direito, aguçando a minha paixão pela poder da mudança por meio do pensamento inovador e do empreendedorismo.

Foi nesse momento que a chave virou e descobri o que realmente seria encontrar sentido. Descobri que na verdade estávamos prestes a construir o nosso caminho ao dar sentido ao que tanto me incomodava.

Resumo: Sentir estar perdido me fez procurar o caminho com a mente aberta. Saber das minhas motivações em cada bifurcação tem me levado na direção que preciso. A jornada, por si só, tem compensado.

2 – Qual foi a sua maior motivação (ou motivações) para escolher em se aprofundar, trabalhar e estudar nesse mundo de análise e dados, abandonando, portanto, o jeito tradicional?

Victor: A maior motivação sempre foi lidar com a frustração com a forma com que lidamos com a insegurança jurídica e criar algo de impacto que permita o direito ser entendido, praticado e estudado de uma forma mais segura e eficiente.

3 – Quais habilidades você acredita que a faculdade de Direito tenha auxiliado na sua trajetória pelo Direito e Tecnologia?

Victor: O curso de Direito, se pensado da forma correta, nos faz encarar a realidade de uma perspectiva de identificação de problemas e busca por soluções. 

Quando se trata de resolver problemas do Direito, o conhecimento jurídico teórico e prático são fundamentais para sermos o fio condutor com a tecnologia. 

Além disso, o desenvolvimento de habilidades de argumentação e persuasão me auxiliam na interação com o mercado como aceleradoras, investidores, e também com usuários.

No mais, os aspectos globais, sociais e filosóficos aos quais fui exposto no curso de Direito orientaram o meu envolvimento com iniciativas que me levaram para além dos muros do Direito tradicional, o que me trouxe inúmeras habilidades e experiências que me influenciaram a trilhar um caminho diferente do comum.

4 – E as habilidades que você acredita que tenham faltado na faculdade de Direito, para se preparar para enfrentar esse mundo de Direito e Tecnologia?

Victor: Algumas habilidades seriam essenciais de se trabalhar ao longo da faculdade como: Liderança; Trabalho colaborativo; Gestão de projetos, pessoas e empresas; Orientação à dados; Estudo de futuros; Noções fundamentais de economia, inovação e empreendedorismo; habilidades técnicas em design; noções de computação e programação; além de habilidades socioemocionais. 

5 – Quais dicas você daria para estudantes de Direito e recém-formados que tenham a intenção de atuar em Direito e Tecnologia, seja como empreendedores ou como prestadores de serviços ou acadêmicos?

Victor: Busquem experiências que agreguem conhecimentos e habilidades não adquiridas na faculdade de Direito ou prática exclusivamente jurídica. 

A sociedade e o mercado, sobretudo empresas, startups, investidores e escritórios de advocacia precisam de pessoas que fujam da curva convencional e se adequem às novas demandas de um mundo em constante mudança. Pessoas que, além do conhecimento profundo em algum tema, consigam navegar e se relacionar com diversas outras áreas (profissional t-shaped).

6 – Compartilhe:

a)  Sugestão de livro: “A incrível viagem de Shackleton: A mais extraordinária aventura de todos os tempos” – Alfred Lansing.

b)      Sugestão de filme: “O homem que viu o infinito” – Matt Brown.

c)   Sugestão de pessoa: Igor Macedo, meu sócio e quem me introduziu em um mundo de novas possibilidades profissionais.

d)      Sugestão de aplicativo: Notion.

7 – Tem algum recado para aqueles que pensam em entrar nessa carreira relacionada a Direito e Tecnologia, em especial para trabalhar com dados?

Victor:

  1. Encontre um problema, valide a sua existência, apaixone-se por ele e valide a forma de resolvê-lo.
  2. Faça muitos testes e tome suas decisões com base nos dados obtidos. 
  3. Tenha disposição para jogar tudo fora caso não encontre as respostas necessárias, e repita tudo de novo.

8 – Existe alguma pergunta que você gostaria que eu tivesse feito e não fiz?

Victor: Uma pergunta que pode falar mais um pouco sobre meu passado é se eu já trabalhei com algo sem relação alguma com o Direito. A resposta é sim! Já trabalhei nos parques da Disney como Custodial (algo como Auxiliar de serviços gerais) e Park attendant (no controle e orientação de visitantes).



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